Rancor

Assim, sem mais nem menos, as coisas terminam.  Por quê?  O motivo, a real explicação de tudo, não se sabe.  E parece ser proibido perguntar, ou saber, ou divagar a respeito.

Foi numa noite, fria e chuvosa, que tudo aconteceu.  Ele, desesperado, pergunta o que houve.  Por que será que as coisas precisam terminar assim, desse jeito tão dolorido e, acima de tudo, sem nexo!  “Explique-me, por favor!”, pede ele.  Não adianta.  Talvez não haja mesmo explicação para as coisas do coração ou, nesse caso, da cabeça.  Uma sugestão de que há um problema mal resolvido paira no ar.  Uma outra sugestão, mais forte, de que este problema não existe, baila diante de seus olhos.  Tentativas frustradas de convencimento, palavras ditas que não voltam mais.  Demonstrações de afeto, amor, carinho e algo mais, é só isso que se há de dar, é só isso que se consegue ver!  E mesmo assim, de mãos atadas, ele vê as ruínas do que outrora fora maior do que seu coração.

Nunca mais.  Frase que fica em sua cabeça.  Agora, decepção e solidão!  “Sê forte”, diz a mente, que teve que tomar conta de tudo antes que o coração falhasse.  É a ironia do problema.  Ficou sozinho porque pensaram que já estava acompanhado.  É a ironia.

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