Dormir

Dormi.  Não consegui me conter, não diante daquelas coisas obscuras que chegavam a cada milésimo de segundo em minha cabeça.  Peguei no sono, profundo mas inquieto, me desvenciliando do ser e do estar, chegando naquele estágio em que as coisas parecem flutuar de tão pesadas que estão.

Fizeram-me prometer nunca mais escrever.  ”Sim, entendo, vou cumprir”, eu disse.  A escrita, como um ato, não significa muita coisa.  O método repetitivo de juntar letras e palavras para expressar algo não é, em si, uma coisa ruim.  O problema é o que se expressa com tudo isso.  O sofrimento que se infiltra no meio dessas palavras é inerente e intransferível.  E isso, eu vos digo, é um problema a ser escondido e nunca mais visto!

Sozinho, solitário.  Se alguém ligar, diga que não estou.  Fui pra Babylon.

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