Cansei de desdenhar os poucos leitores que tenho. Depois do último post, senti-me quase obrigado a agradecê-los do fundo do coração por essa demonstração de carinho, admiração e respeito. Obrigado, mesmo
. Esse post é todo de vocês, para vocês e, por que não dizer, por vocês? Afinal, a escrita só faz sentido quando é lida, e a leitura é o combustível desse blog. De uma vez por todas, me dei conta de que sem essa leitura, essa degustação de posts que vocês fazem, isso aqui não existiria. E eu não tenho o mínimo direito de dizer que não me importo em não ser lido! Me importo tanto que meu primeiro leitor sou eu mesmo.
Quero escrever sobre vida. Mas quem disse que se escreve sobre essas coisas?? Aliás, quem disse que essas coisas se deixam ser escritas. Não é como falar sobre o tempo, o futebol, a política. Ou é. Talvez seja falar sobre tudo isso, e ainda saber que falta muito pra falar sobre o que se quer realmente falar.
Outro dia eu estava pensando numa estória. Uma das boas, que se fosse escrita aqui talvez me renderia um ou dois prêmios disso que hoje se chama blogosfera. Uma tão legal que talvez até se transformasse numa história, daquelas que alguém conta todo dia pra outro alguém. Bem, pensar é pouco. Comecei a tentar rabiscar algumas coisas, trechos sem nexo que depois se encaixariam e tomariam a forma que eu esperava. Ahh, era o que eu esperava, era só isso que me fazia continuar. Esperava um ônibus naquela hora, mas perdi a noção do tempo e das coisas ao meu redor; tudo o que importava era fazer da estória uma história. Não sei se você já fez isso… É como tentar dar vida a um pedaço de papel, dobrando-o e desdobrando-o até que ele reclame e decida tomar sua pequena vida nas mãos. Mas nesse caso, eu era a folha de papel. Tentava dobrar minha mente pra que ela reclamasse… E a história fluía como um rio. Era mais ou menos assim:
“Ela sentou-se quando o relógio bateu a hora exata. Apesar disso não ter sido premeditado, a mera impressão de que foi já era suficiente para transtorná-lo. Ele se incomodava com sua beleza, mas não sabia direito por quê. Estava interessado em outras coisas agora, como por exemplo terminar seu esboço. Não sabia se demorava mais só pra irritá-la, ou se terminava logo pra se ver livre daquela figura. Ela, impaciente com a lentidão do cavalheiro, já batia repetidamente o salto no chão de madeira, acompanhando o tique-taque do relógio.”
E assim por diante. O ritmo, confesso, não era muito atraente. Minhas tentativas de torná-lo um trabalho digno de nobel foram frustradas. Minha última chance: o ônibus que eu esperava vinha em minha direção, e seria o último horário do dia. Resolvi ficar. É nessas horas que a vida parece valer a pena…