De repente, só

Dom, 17 dUTC Maio dUTC 2009

Já teve a impressão de que você está só (ou quase), de repente?  De uma hora pra outra, aqueles que você considerava amigos mostram-se distantes, quase “colegas”, quase “conhecidos”, quase “nada”.  E você, que contava com as pessoas, já não pode mais contar nada a ninguém.  Pega sua agenda telefônica, e de nome em nome você risca e elimina a possibilidade de uma conversa, um abraço ou um apoio.  Tudo é só trabalho, obrigação e, surpreendemente, formalismo.  Não há mais proximidade, somente uma cumplicidade tácita que se revela ser menos do que a metade de tudo o que você imaginava.

É assim, vagando pela imensidão de janelas de um servidor qualquer, que você repara que ao seu lado não está ninguém.  Aquela que se foi pra não voltar, aquele que não volta e não vai.  Viagem ao alcance da mão, tentativas frustradas de se reatar algo que talvez nunca tenha existido de fato, conclusões doloridas de uma solidão iminente.  Dias, horas, até mesmo minutos não fazem diferença quando o que se tem é uma cama e uma onda de rádio.  Talvez a companhia chegue.

Deixo um bilhete.  Não volto mais.


Insônia

Seg, 12 dUTC Janeiro dUTC 2009

Não vou escrever este post obedecendo à nova regra gramatical, por um simples motivo: não sei gramática, e muito menos o que mudou nessa virada de ano. Isso foi só um aviso.

Só tenho pensado besteiras. Sinto falta de muita coisa, e já disse que sinto, mas mesmo assim só consigo pensar em besteiras. Acreditar no poder oculto daquilo que se chama (e chama) é um pouco difícil nessa “altura do campeonato”. Eu sei, é só querer. Mas eu quero? Será que quero? Vale? É por quilo? Nunca sei.

Ontem eu vi. Parado, ali no porto, em pé e sem notar as ondas. Estava refletindo sobre algo muito além da imaginação, algo que nunca vou compreender. E no entanto a fascinação foi quase instantânea, não pude controlar. Sei que ele me viu, mas não deu importância. Claro. Nunca aconteceu antes, por que iria ocorrer naquela hora? O vento balançava o areoar balançava o vento. A luz na fresta da janela não me permitia uma aproximação maior, apesar de eu já me sentir tão perto. Quase imutável como o vento. E mesmo assim alterando minhas direções e sentidos, minhas respirações. Várias delas. Talvez não seja pra isso que fomos feito. O questionamento, a palavra arcaica salvando-se do tempo, e no entanto sem tempo pra virar voz.

Ontem, eu vi. Estava parado, sem notar as ondas.


De dentro

Qua, 04 dUTC Junho dUTC 2008

Dentro da sala, da universidade, de um mundo qualquer. Não importa o quanto eu tento, e não importa o “se”. Fazendo de tudo pra não fazer nada, sou incompetente nas minhas conquistas. Não consigo fazer o que gostaria, apesar de sempre buscar. Não consigo deixar de pensar naquela que me tira o pensamento quando quer.

Gostaria de saber o limite disso tudo. Não que eu queira fugir; não sou homem de fugir. Apesar disso, por mais que eu me esforce, parece que sou homem de sofrer. E assim é o que acontece. Como se o sofrimento, companheiro intermitente, desse sempre a impressão de estar diminuindo. Inocente eu, pois o poeta já havia alertado, “tristeza não tem fim”.

A viagem me trouxe coisas ruins. De certa forma, antes de acontecer, eu já sabia que ia acontecer. Mas é claro que não podia dizer nada; alguém podia me apontar como culpado pelas coisas ruins depois! Ao invés disso, como um guerreiro solitário, fui tentando vencer os obstáculos da melhor maneira: um por um. Chorei. Me machuquei, sangrei, mas não disse. Não podia. Tentei o caminho da firmeza, mas esse ninguém me ensinou a trilhar. Tentei desligar os sentimentos, mas… Não sou quem pensam.

Dentro do mundo, da sala, de mim. Ainda não importa o quanto eu tento. Ainda, nada importa.


Por que ela?

Dom, 03 dUTC Fevereiro dUTC 2008

Por que teve que ser ela? Não reclamo, não acho que devia ter sido de outra maneira. Apenas me pergunto o motivo dessa escolha. Aquela que mais me fez feliz e mais me fez sofrer, paradoxalmente amando e odiando, rindo e chorando. O que ela tem, o que há sob esses olhos castanhos que me fazem tremer quando me olham e dizem, com todas as palavras mas sem dizer uma sequer, que o amor existe e dói!? Impossível… O pensamento voa, e junto com ele vai ela, atravessando o oceano sem ter tocado no telefone, sem ter dito “Estou aqui, mas logo estarei em seus braços”. E no entanto, como se por intervenção divina, a mão que não tocou no telefone conseguiu segurar uma caneta há 3 semanas, escrevendo palavras que me fizeram chorar e ver como o mundo é mais bonito quando se tem alguém. É bom saber que o tempo está chegando, e é ruim saber que o tempo não chega logo. Tantas coisas a dizer. Tantas palavras presas na garganta, esperando um momento, um sinal de “estou pronta pra ouvir”. Tanta esperança em mudar o que parece imutável. Não tenho mais forças. Estou exaurido, completamente esgotado. Ela não sabe e talvez nunca saiba o que é isso, o que esse sentimento significa e o quanto ele gravita em mim agora. Afinal, nessa hora imprópria, o que me parece é que esse talvez seja o destino do (ou desse) homem: nascer do amor, e morrer amando.


Dicas num novo ano

Seg, 31 dUTC Dezembro dUTC 2007

Alô!

Depois de alguns (vários) dias sem escrever aqui, resolvi voltar. Como ainda estou no período de férias e pretendo viajar nos próximos dias, não sei se conseguirei manter a periodicidade nos posts. Mas não podia deixar de recomendar algumas músicas/bandas/artistas pra começar o ano novo ;-) . Esse post, portanto, será mais “tranqüilo”…

Pra começar, não posso deixar de recomendar nosso grande Buddy Holly. Um dos precursores do Rock’n'Roll, ele é famoso por algumas inovações que introduziu na música, especialmente usando o Blues em algumas delas… Morreu com 22 anos, mas influenciou vários artistas que ainda rodam por aí (Eric Clapton é um exemplo).

Outro amigo nosso é o Buddy Guy. Ele é um dos melhores cantores/tocadores de Blues atuais (na minha opinião). Tem um estilo inconfundível, e uma voz única e gostosa de se ouvir. É o “autêntico” blues: negro, de suspensório, com sua guitarra na  mão, fazendo estripolias… Teve (e ainda tem) forte influência em outros gênios do blues, como Stevie Ray Vaughan, Eric Clapton, e por que não dizer, B.B. King ;-) . Se você curte um blues original, vai ter que ouví-lo.

Pra terminar, o grande John Mayall. Não tenho muito o que falar dele, exceto que suas músicas são simplesmente demais. Outro cara de blues, caso você esteja se perguntando :P … Tocou bastante com Clapton, e fez diversas outras parcerias muito legais. Recomendo o álbum “Looking Back“.

Bem, acho que é isso. Um ótimo ano pra todos!!


Sinal de vida

Qui, 06 dUTC Dezembro dUTC 2007

Não esqueci do blog, fiquem tranquilos! Com a chegada das (merecidas) férias, vou poder reformular tudo por aqui. Aliás, é muito provável que eu mude de servidor, então fiquem antenados nas novidades!!

Já volto… ;-)


Pra você, com amor

Seg, 24 dUTC Setembro dUTC 2007

A insônia é companheira nesse momento. Domingo, madrugada, já devia estar dormindo. Tudo isso teria uma importância imensa não fosse minha vontade de escrever pra você. Sobre você. Por você.

Ela reclama que eu não escrevo nada. Que nunca lhe mostrei meus rabiscos (dos quais poucos eu considero dignos de serem mostrados a ela). Bem, esse rabisco eu vou mostrar, mas não só a ela. É um jeito de matar minha vontade de gritar e cantar o amor sentido e algumas vezes reprimido. Mas que nada! Um amor, um amor como esse, sem pé nem cabeça porque o infinito não tem pé nem cabeça, um amor que me tira do chão toda vez que me vem à mente, esse amor não merece ser reprimido. Mas nem que eu quisesse… Nem que eu quisesse.

Não há palavras que consigam expressar isso. Não há meios de dizer o quanto isso que eu sinto é grande, preenche e conforta. Não há jeito de postar isso aqui pro mundo, pro mundo saber o quanto eu gosto de você. Ama-se pra si mesmo, ama-se pros outros. Eu amo pra você. Eu amo pra te ver sorrir, eu amo pra te ver sentir saudade, eu amo pra matar essa saudade, mas amar só faz aumentar isso. E é por isso que eu quero ver, eu quero ouvir, eu quero falar! E é por isso que eu peço insistentemente desde o início: me fale, me deixe ver.

Sem poesias hoje. Talvez um outro dia, quando outras palavras me vierem à cabeça. A única que apareceu até agora foi “amor”. Poesia de uma só palavra… É, pensando bem, até que é uma boa idéia :-) .

Obrigado por tudo.


Ao leitor, com carinho

Dom, 23 dUTC Setembro dUTC 2007

Cansei de desdenhar os poucos leitores que tenho. Depois do último post, senti-me quase obrigado a agradecê-los do fundo do coração por essa demonstração de carinho, admiração e respeito. Obrigado, mesmo :-) . Esse post é todo de vocês, para vocês e, por que não dizer, por vocês? Afinal, a escrita só faz sentido quando é lida, e a leitura é o combustível desse blog. De uma vez por todas, me dei conta de que sem essa leitura, essa degustação de posts que vocês fazem, isso aqui não existiria. E eu não tenho o mínimo direito de dizer que não me importo em não ser lido! Me importo tanto que meu primeiro leitor sou eu mesmo.

Quero escrever sobre vida. Mas quem disse que se escreve sobre essas coisas?? Aliás, quem disse que essas coisas se deixam ser escritas. Não é como falar sobre o tempo, o futebol, a política. Ou é. Talvez seja falar sobre tudo isso, e ainda saber que falta muito pra falar sobre o que se quer realmente falar.

Outro dia eu estava pensando numa estória. Uma das boas, que se fosse escrita aqui talvez me renderia um ou dois prêmios disso que hoje se chama blogosfera. Uma tão legal que talvez até se transformasse numa história, daquelas que alguém conta todo dia pra outro alguém. Bem, pensar é pouco. Comecei a tentar rabiscar algumas coisas, trechos sem nexo que depois se encaixariam e tomariam a forma que eu esperava. Ahh, era o que eu esperava, era só isso que me fazia continuar. Esperava um ônibus naquela hora, mas perdi a noção do tempo e das coisas ao meu redor; tudo o que importava era fazer da estória uma história. Não sei se você já fez isso… É como tentar dar vida a um pedaço de papel, dobrando-o e desdobrando-o até que ele reclame e decida tomar sua pequena vida nas mãos. Mas nesse caso, eu era a folha de papel. Tentava dobrar minha mente pra que ela reclamasse… E a história fluía como um rio. Era mais ou menos assim:

“Ela sentou-se quando o relógio bateu a hora exata. Apesar disso não ter sido premeditado, a mera impressão de que foi já era suficiente para transtorná-lo. Ele se incomodava com sua beleza, mas não sabia direito por quê. Estava interessado em outras coisas agora, como por exemplo terminar seu esboço. Não sabia se demorava mais só pra irritá-la, ou se terminava logo pra se ver livre daquela figura. Ela, impaciente com a lentidão do cavalheiro, já batia repetidamente o salto no chão de madeira, acompanhando o tique-taque do relógio.”

E assim por diante. O ritmo, confesso, não era muito atraente. Minhas tentativas de torná-lo um trabalho digno de nobel foram frustradas. Minha última chance: o ônibus que eu esperava vinha em minha direção, e seria o último horário do dia. Resolvi ficar. É nessas horas que a vida parece valer a pena…


Caneta

Dom, 02 dUTC Setembro dUTC 2007

Já me perguntaram quando é que eu ia postar novamente aqui… Já me pediram pra postar novamente. Então cá estou eu. E eu tinha prometido a mim mesmo que ia fazer um post diferente dessa vez, mas… como é mesmo que são meus posts?

Sempre, e eu não sei explicar por que isso acontece, mas sempre que vou escrever eu boto o fone-de-ouvido (mentira: eu já estou com ele há algum tempo), e não sei explicar também, mas sempre tenho um blues ao fundo… Nesse momento? Stevie Ray Vaughan e Buddy Guy tocando Tin Pan Alley. Uma música dessas não devia ter fim. Não devia chegar aos aplausos finais (não que ela não mereça)… Devia ficar pra sempre aqui. Ouvindo esse blues, a única coisa que parece importar é… ouvir esse blues. Mais nada.

Mas a pergunta que tá aqui é: vou falar sobre o quê? E mesmo que eu soubesse sobre o que, eu não saberia o quê! E as coisas que penso em escrever não me vêm mais à cabeça. Tenho medo. Medo de ter perdido essa capacidade de (tentar) me expressar usando uma das únicas formas através da qual eu conseguia fazer isso razoavelmente.

Nunca contei meus planos. Tinha, e talvez ainda tenho muitos planos. Escrever um livro é um deles. Não precisa ser sobre nada especial; apenas um livro como outro qualquer. Talvez ficasse num daqueles lugares que ninguém sabe onde fica na livraria. Não me importo com isso… Só queria escrever, só isso. Isso é tão forte que chega a ser necessidade, e por ser necessidade isso vira uma coisa egoísta. É estranho isso, uma vez que a gente escreve pros outros, pra pessoas que talvez leiam e se identifiquem conosco. Mas não. É mentira isso! Minha necessidade é maior que isso, e minha preocupação em ser lido é menor do que a preocupação em escrever. Talvez isso explique bastante coisa, talvez não. Talvez não seja explicação pra nada; talvez seja mais um dos egoísmos que me assolam. Por isso peço, com toda a humildade que alguém pode ter: tirem tudo, mas deixem minha caneta.


That way

Dom, 22 dUTC Julho dUTC 2007

Primeiro: agradecimentos pessoais e sinceros aos leitores e leitoras desse imenso mundo de bits… E obrigado ao Otubo pelos comentários :)

Antes que me perguntem, vou me adiantar. Como eu escrevo? Como é que essas coisas saem da minha cabeça? Taqui um resumo.

Nas noites mais insanas e insônias é que vem a inspiração. Sempre com blues ao fundo (nesse momento, Jimi Hendrix – Bleeding Heart). Sentindo algo no estômago. É, não sei explicar direito, mas é uma sensação meio constante nessas horas de solidão. Como se algo fosse explodir. Ou como se você estivesse ouvindo o blues (usei blues aqui por pura falta de idéia) da sua vida, aquele que conta sua história, e estivesse na primeira fila da platéia, com vontade de gritar bem alto pra todos ouvirem que aquela música é sua. Demoro pra digitar. Sempre releio, mas nunca apago o que escrevo. Acho feio apagar. Sinto como se estivesse tirando a vida de algo que eu mesmo fiz. Não refaço, não precisa. As coisas que saem são as que deviam ter saído, e somente elas. Por exemplo, nesse exato momento estou pensando que foi uma pena Jimi ter morrido…

Não quero tentar te colocar aqui dentro. Também não quero dar uma de escritor e falar sobre a “fórmula do sucesso”. Meus textos são meus, antes de serem bons ou maus, e continuarão assim pra sempre. Tenho coisas a serem resolvidas. Tenho. Não sei resolvê-las. Conversei com um amigo no ônibus sobre isso. Ele vai saber que se trata dele; as pessoas sabem quando isso acontece. Aquilo que falei pra ele talvez tenha soado diferente do que eu queria dizer. Nem eu sei o que queria dizer. Nem eu sei o que fazer, e não vou pedir ajuda. Tenho a ligeira impressão de que isso tudo é menor (talvez seja bem menor) do que eu estou pintando. E isso é reconfortante. Cheguei a sentir que seria o momento de resolver isso tudo, mas ainda não era. Acredito bastante que as coisas acontecem quando se está preparado pra elas, mesmo quando você acha que não estava. Por isso, estou aqui esperando. Como um relógio…

Não me venham dar lições de moral, por favor. Quem nunca fez isso? Quem nunca se sentiu impotente, incapaz? Peço todos os dias pra isso não me dominar. Prometo que quando aquilo tudo se resolver vou me livrar de outras coisas.

Ouço Jimi tocar Red House. Me perco em seus solos. I’m feeling béta :) . I really meant to confuse you.