- Você não vai acreditar no que aconteceu!
- Não?
- Não!
- Bem, se você não falar, realmente fica difícil acreditar.
- Sim, sim! Você se lembra daquela vez em que estivemos navegando?
- Há quase 1 ano?
- Exato!
- Sim, e aí?
- Pois então, na hora eu não disse nada, mas achei ter visto algo cair na água. Alguma coisa que parecia viva, saltou do barco e discretamente caiu na água.
- Ahn??
- É, eu sei que é difícil de entender, mas tente acompanhar meu raciocínio, você vai ver onde quero chegar.
- Tá, estou com tempo mesmo…
- Ótimo. Bem, depois que vi o “objeto” cair na água, achei que fosse apenas alguma ilusão ou algo assim. Afinal, estávamos no mar há tanto tempo, sem comer direito, só bebendo aquela cerveja horrível e quente, que pensei estar alucinando ou algo assim.
- Entendo. Ainda tenho revertérios quando lembro da cerveja.
- Nem me diga! Mas então, depois de mais dois dias nós voltamos pra casa, cheios de peixes e garrafas vazias. Acho que não saímos mais pra pescar depois daquilo, né?
- Não que eu me lembre. Mas ainda não entendo onde você quer chegar.
- Calma, cada detalhe é importante. Eu fiquei com aquela cena na cabeça, via uma espécie de cauda terminando seu movimento serpenteante e caindo na água. Não conseguia ver o resto daquela coisa, somente essa cauda.
- Hmm, uma cobra? No nosso barco?
- Não, nem seria possível.
- Por quê?
- Não acho que uma cobra tenha aquela… hmm… textura.
- Como assim?
- Aquela coisa parecia feita de vidro, era quase transparente, difícil de ver. Além disso, tinha detalhes que eu não me lembro de ter visto em nenhuma cobra.
- Você viu tudo isso num relance, e não me disse nada?
- Na verdade, não. Naquela hora eu não estava certo se tinha realmente visto algo. Mas ao longo do tempo fui tendo sonhos com aquilo, que me permitiram olhar de uma perspectiva diferente, quase como uma terceira pessoa.
- Você tá bem? Quer que eu chame um médico?
- Não, cara!! É sério! Você tem que me ouvir, é muito importante.
- Ok, continue então. Mas não me critique se eu começar a duvidar de você daqui pra frente.
- Tá bom, você vai ver, não vai ter motivo pra dúvida. A questão é que eu finalmente descobri o que era aquilo.
- E….?
- E era um massupinório.
- Massup… O que foi que você disse?
- Massupinório.
- Que diabos é isso?
- É o nome daquilo que eu vi caindo na água, com seu rabo serpenteante.
- Mas eu nunca ouvi isso antes. Isso é algum termo taxonômico?
- Não.
- Então o quê?
- O que o quê?
- Que porcaria é esse Massupinário?!?
- É massupinório.
- Que seja. O que é isso? Que tipo de animal, objeto, sei-lá-o-que?
- Ah, isso eu já não sei.
Escrito por sergiosdj